1.7.07

Subdesenvolvimento, milagre e esterilidade


"A deteriorização da conjuntura estimulante dos inícios de sessenta fez com que o público intelectual que corresponde hoje ao daquele tempo se encontre órfão de cinema brasileiro e voltado inteiramente para o estrangeiro onde julga às vezes descobrir alimento para sua inconfidência cultural. Na realidade ele encontra apenas uma compensação falaciosa, uma diversão que o impede de assumir a frustração, primeiro passo para ultrapassá-la. Rejeitando sua mediocridade, com a qual possui vínculos profundos, em favor de uma qualidade importada das metrópoles com as quais tem pouco a ver, esse público exala uma passividade que é a própria negação da independência a que aspira. Dar as costas ao cinema brasileiro é uma forma de cansaço diante da problemática do ocupado e indica um dos caminhos de reinstalação na ótica do ocupante. A esterelidade do conforto intelectual e artístico que o filme estrangeiro prodiga faz da parcela de público que nos interessa uma aristocracia do nada, uma entidade em suma muito mais subdesenvolvida do que o cinema brasileiro que desertou. Não há nada a fazer a não ser constatar. Esse setor de espectadores nunca encontrará em seu corpo músculos para sair da passividade, assim como o cinema brasileiro não possui força própria para escapar ao subdesenvolvimento. Ambos dependem da reanimação sem milagre da vida brasileira e se reencontrarão no processo cultural que daí nascerá."

trecho publicado em Argumento, revista mensal de cultura, São Paulo, n°1, outubro de 1973.

Paulo Emílio Salles Gomes.


>Eu que não sei procurar ou discussões relevantes de cinema hoje acontecem periodicamente só que em anos venusianos ?

.r

17.6.07

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Por incrível que pareça o mundo iria acabar e ninguém iria perceber. Onde estava
o incrível
dom de se importar? Nas
importadoras?





.r

10.6.07

Lapsos

Dois Pontos

Dois miligramas mudam o trajeto do garoto. Dois metros fora da calçada. Dois anos longe da mãe. Dois segundos de rebelião. Dois pneus sobre seu tronco. Duas batidas: batida chegada e batida despedida.

Tevêvision

- E se acaba a luz?
- Acaba a tv.
- Mas aí vai pra net, né?
- Não, não tem net também.
- E o que tem pra fazer?
- Ser.


Biologia

Às vezes Valentina pensava na genialidade de certas figuras da pintura, escultura e literatura. Ela jamais, até aquele momento decisivo, havia feito algo memorável. Doze minutos depois, Valentina concluiu que seus 15 anos não eram comparáveis aos 80 anos de um velho genial escritor: ela tinha que terminar com Raul e fazer o trabalho de biologia; já o velho genial escritor tinha de morrer e escrever algo genial. Não fazia mais do que a obrigação, pensou.


.r

24.1.07






os quadrinhos não são o máximo?