4.4.08

Déjà vu de mussarela


Os dois. Logo de cara foram pra pizzaria, onde ele lhe falava sobre "sensações de época". Quando se está em algum lugar ou situação ou sentindo certo cheiro que te faz remeter a certa época.

Sim, de mussarela, isso mesmo.

Olhando a vitrine de oréganos ele exemplificou uma dessas sensações. Sempre que via um leão feito de pedra sentia-se na época em que sua irmã estudava no colégio esquisito e também confundia sua excursão de escola com um sítio misterioso. Um leão de pedra, só isso - estalando os dedos - e já estava em outro lugar. Ela ouvia e comentava muito colorida com o sorriso na atenção e a completa compreensão nos olhos.

23? Sim, à vista, obrigado.

Ela o interrompia como cócegas de piadas sobrepostas, contando sobre a vez em que numa noite de chuva ela olhara para um poste e só enxergara as gotas na faixa de luz. Ela concluira que era só nas noites que o céu não chovia, mas a luz dos postes que cuspia. Coisas de criança. "Coisas de criança", ambos pensaram silenciosamente durante o caminho de volta com a mussarela de 23 contos queimando na mão. Coisas de criança como a amizade flutuante. Eles perceberiam ali em silêncio que o verdadeiro sentido para tais palavras não eram explicáveis por adultos que cobravam 23 paus numa mussarela. A mussarela queimava-lhe os dedos e ele pensava que quando se definiam muitos sentidos para poucas coisas, essas simplesmente deixavam de existir. Cortaram o primeiro pedaço e engatilharam uma conversa sobre walkie-talkies. Eram amigos deveras, estritamente essa infinidade indefinível.

para preta.

.r



4 comentários:

Jacque disse...

Como é bom ler suas coisas.

dupcav disse...

uau

olha lá, eu postando como o du de novo!

a gente deve ter algum tipo de cordão umbilical internético

dupcav disse...

assinado: Cauê

ana beatriz disse...

A preta do suvaco preto agradece todos os dias de ter tido a chance de comer cachorro-quente e pão com geléia de uva com você.